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O problema de Thafne

Os habitantes de Mise en Abyme encontram-se em estado de indignação devido ao vídeo no qual uma farsa no programa Soletrando é mostrada. Exibido aos sábados como uma atração do Caldeirão do Huck, o quadro apresenta estudantes de escolas públicas numa disputa que visa mostrar aquele que tem maior conhecimento de léxico: uma palavra não muito usual no cotidiano é dita pelo apresentador e o aluno deve soletrá-la, podendo pedir auxílios que lhe dêem mais bases para compreender a palavra em questão.

Na final da temporada exibida em 2008, depois da eliminação de Amanda Costa, dois alunos disputavam o primeiro lugar no programa. A paranaense Thafne Toledo de Souza e o mineiro Eder Coimbra foram responsáveis por uma situação no mínimo constrangedora, que rendeu muita polêmica e inúmeras hipóteses acerca da seriedade com a qual a produção global conduz – às vezes, induz – as atividades.

A palavra soletrada era “homogeneidade”. Depois de dizer as letras da palavra, confundindo claramente a consoante t com d, o estudante Eder lamenta, demonstrando que ele mesmo havia reconhecido seu erro. Corroborando o erro do garoto, a plateia emite um sussurro e os avaliadores se mostram confusos, sem saber qual foi exatamente a pronúncia realizada, terminando por considerá-la correta. Já Thafne enfrentou um problema ainda maior quando precisou soletrar a palavra “infra-hepático”, pronunciada três vezes por Luciano Huck como “infrepático” e, depois, “infra-aepático” pelo professor convidado do programa. Logo após ter reclamado, sugerindo que as diferenças de pronúncia eram causavam dificuldade, solestrou a palavra corretamente, perdendo somente numa rodada posterior ao errar a palavra “hagiológio” (que foi descrita sem o h).

Mise en Abyme levanta sugestões acerca dos fatores que levaram a produção do programa a criar tamanhos empecilhos que notadamente favoreceram o aluno mineiro, que apesar de ter errado sagrou-se vencedor daquela edição do “Soletrando”. Sabe-se que Minas Gerais é o segundo estado brasileiro a lidar no ranking de vencedores da atração global, apenas atrás do Rio de Janeiro. Não se sabe exatamente qual o movimento financeiro resultante de uma vitória no programa, não se sabem também quais são as implicações político-econômicas de um estado ter um aluno de uma de suas escolas vencendo um quadro cuja essência é, aparentemente, mensurar qualidade de ensino. Uma das possíveis sugestões para os problemas todos que circunvizinharam os acertos e erros mostrados no último episódio do quadro é justamente uma pressão política sobre a Rede Globo, obrigando-a a facilitar para o garoto, o que consequentemente ajudaria o estado mineiro a ficar elencado numa posição melhor, o que provavelmente desviaria os pensamentos mais céticos acerca do ensino naquele estado.

Difícil avaliar o quanto o programa faz jus ao conhecimento dos alunos ou à sua capacidade de depreender que palavra seja pela sua definição, sinonímia ou aplicação numa frase. A proposta do quadro por si só não se justifica, já que saber solestrar palavras não demonstra que o aluno seja verdadeiramente dotado de um conteúdo intelectual que possa ser aplicado no dia a dia. Será que o governo realmente espera disfarçar a qualidade do ensino apresentando alunos que sabem soletrar palavras difíceis, mas que talvez não saibam  fazer uso de conceitos filosóficos, conhecimentos históricos e nem tenham uma compreensão de mundo esclarecida e não-alienada?

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Publicado em 22/06/2012 por .

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